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 <title>UbaLab. - cidades digitais</title>
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 <title>Cidades digitais...</title>
 <link>http://ubalab.org/blog/cidades-digitais</link>
 <description>&lt;div class=&quot;field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;p&gt;Insistindo na abertura do conceito de cidades digitais - de maneira que abarque não somente o aumento de eficiência da máquina pública e o alívio pontual de disparidades, mas insira também a escala local e suas demandas na própria autoria do imaginário tecnológico e de suas invenções - tenho presenciado alguns movimentos interessantes. Estou conversando com a nova gestão da Prefeitura de Ubatuba, em busca de um modelo que faça sentido para as características únicas da cidade. Estou também tratando de projetos similares em outras cidades da região. As ideias têm ressoado. A ver o quanto vamos conseguir pôr em prática.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também fui chamado, como já comentei aqui, a participar de um debate no &lt;a href=&quot;http://transmediale.de&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Transmediale&lt;/a&gt; sobre o assunto na quinta-feira passada, junto com pessoas que estudam ou estiveram envolvidas com projetos europeus de &quot;cidades digitais&quot; nos anos noventa. Para encerrar a semana, fiz um bate-volta para São Paulo na sexta, a convite do &lt;a href=&quot;http://w3c.br&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;W3C&lt;/a&gt;/&lt;a href=&quot;http://cgi.br&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;CGI&lt;/a&gt; e Prefeitura de São Paulo, onde falei junto com &lt;a href=&quot;http://access-space.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;James Wallbank&lt;/a&gt; sobre &quot;Cidades Digitais e Open Labs&quot;. As condições do trânsito aumentaram o tempo da minha viagem, o que acabou proporcionando um novo texto sobre cidades digitais, que devo publicar aqui assim que tiver tempo de digitá-lo. Nenhuma novidade para quem já leu meus outros textos, somente mais uma coleção de argumentos sobre como os labs abertos podem ser uma saída para algumas das arapucas da cidade contemporânea. No mais, foi bom conhecer mais pessoas do W3C, além de reencontrar James e dar uma volta rápida pelo Anhangabaú.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field field-name-taxonomy-vocabulary-1 field-type-taxonomy-term-reference field-label-above&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-label&quot;&gt;Tags:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/category/tags/projetos&quot;&gt;projetos&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/cidades-digitais&quot;&gt;cidades digitais&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/urbe&quot;&gt;urbe&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/aliadxs&quot;&gt;aliadxs&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/cidades&quot;&gt;cidades&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description>
 <pubDate>Sun, 03 Feb 2013 21:04:03 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Adjetivos, MetaReciclagem e laboratórios experimentais</title>
 <link>http://ubalab.org/blog/adjetivos-metareciclagem-e-laboratorios-experimentais</link>
 <description>&lt;div class=&quot;field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;No início deste mês estive em Medellín, na Colômbia, participando da quinta edição das &lt;a href=&quot;http://2012.ciudadescreativas.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Jornadas Ciudades Creativas&lt;/a&gt;, organizada pela &lt;a href=&quot;http://www.kreanta.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Fundação Kreanta&lt;/a&gt;. O texto abaixo é uma costura da &lt;a href=&quot;http://www.slideshare.net/felipefonseca/labs-experimentais-jornadas-kreanta&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;minha apresentação&lt;/a&gt; na mesa sobre &quot;Apropriação de tecnologias para cidades inteligentes&quot;. Pra quem já leu meus outros textos, esse não tem nenhuma novidade. Mas fica como impressão do momento. Assim que tiver tempo também quero publicar por aqui um relato sobre minha experiência durante o evento.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Respondendo a uma questão da plateia após sua palestra na edição de 2012 das Jornadas Kreanta, a socióloga Saskia Sassen problematizou a aparente &quot;explosão de adjetivos&quot; que tem atualmente acompanhado a reflexão sobre cidades e urbanismo: cidades criativas, cidades digitais, cidades sustentáveis, cidades inteligentes, e por aí vai. Disse que ela mesma tem tentado evitar os adjetivos, porque em pouco tempo as consultorias comerciais oportunistas que se multiplicam pelo mundo acabam por sequestrar quaisquer termos que poderiam ter alguma relevância.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Coincidentemente, dois dias antes eu havia discutido um tema similar em encontro com integrantes de diferentes projetos no Museu de Arte Moderna de Medellín. Naquela manhã de quarta-feira eu sugeria que em vez de encontrar o adjetivo certo para definir as cidades que queremos, talvez mais interessante fosse desenvolver a pleno a ideia (a utopia?) da cidade moderna como ambiente propício para a convivência com a diversidade cultural, o compartilhamento de infraestrutura e a otimização de recursos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Durante minha curta estada em Medellín, acompanhando à distância o noticiário sobre as eleições municipais no Brasil que aconteceriam na semana seguinte, eu ainda reformularia minha opinião sobre o tema: adjetivar a cidade pode sim ser temporariamente útil, como forma de contrapor-se a todas aquelas práticas arraigadas que vão no sentido oposto ao adjetivo em questão. Assim, falar em uma cidade criativa é posicionar-se contra a cidade conservadora (posicionar-se contra a agenda conservadora e as ações conservadoras dentro do espaço urbano); a cidade sustentável se opõe à cidade baseada no desperdício; defender a cidade inteligente é acusar e refutar as cidades imobilizadas pela falta de comunicação e planejamento. Mas a chave aqui é justamente o aspecto temporário: o adjetivo não deve ser a meta em si. Antes, é indicação importante de escolha de caminho prioritário.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tenho uma sensação similar em relação ao discurso das cidades digitais, assim como ao da cultura digital, entre tantos outros. Dez anos atrás, uma das primeiras ações concebidas (embora nunca implementada a contento) pelas mesmas pessoas que à época estavam envolvidas com a criação da &lt;a href=&quot;http://rede.metareciclagem.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;rede MetaReciclagem&lt;/a&gt; se chamava &quot;Prefeituras Inteligentes&quot;. Naquele esboço de projeto encabeçado por Daniel Pádua, imaginávamos uma política pública baseada em espaços abertos que proporcionariam a reutilização de equipamentos eletrônicos ociosos para criar redes digitais abertas que propiciassem a livre circulação de informação. Com o tempo entenderíamos que prefeituras são frequentemente os ambientes menos propícios para tais impulsos libertários. Por mais que uma prefeitura aprendesse a ser menos estúpida, ela nunca seria tão inteligente quanto gostaríamos. Ainda assim, a qualificação pelo adetivo - o digital, o criativo, o inteligente - podem trabalhar no imaginário das pessoas e dos grupos envolvidos, criar uma disposição que possibilite propor ações concretas.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;
	MetaReciclagem&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Ao longo da última década, as diversas ações desenvolvidas de maneira distribuída através da rede MetaReciclagem acabaram deixando um pouco de lado a construção do discurso do digital – percebido ali como demasiadamente focado nas ferramentas de comunicação em si próprias, em contraposição à perspectiva de que o mais importante são as dinâmicas sociais que as tecnologias possibilitam. Em seu lugar, construiu-se uma história baseada em outros adjetivos. O livre, o aberto, o participativo, o colaborativo são centrais para a narrativa coletiva que circunda a MetaReciclagem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas não deixamos de lado a intenção de trabalhar junto a diferentes instituições, tentando influenciar a maneira como elas desenvolvem suas ações. De maneira distribuída e dinâmica, integrantes da rede MetaReciclagem passou a buscar parcerias com o terceiro setor, com instâncias governamentais mais abrangentes - estaduais ou federais -, com organizações culturais. Contextos que oferecem um pouco mais de abertura para uma visão ampla em relação às novas tecnologias de comunicação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde então, pessoas e grupos atuando dentro da rede MetaReciclagem criaram mais de uma dúzia de laboratórios em todas as regiões do país. Alguns desapareceram com o tempo, outros se reinventam até hoje. Se no início nos apresentávamos como um coletivo dedicado ao recondicionamento de computadores usados com a utilização de software livre, o uso social das redes digitais e o impulso à distribuição de cultura &lt;em&gt;copyleft&lt;/em&gt;, hoje uma das definições mais comuns da MetaReciclagem é como rede aberta que propõe e articula ações de apropriação crítica de tecnologias para a transformação social. Cada um desses termos é naturalmente debatível, e isso ocupa boa parte do nosso tempo. A rede conta hoje com quase quinhentas pessoas em sua lista de discussão, influenciou um sem-número de projetos de tecnologia orientada para a sociedade, infiltrou-se em diversas discussões que supostamente não lhe diziam respeito, recebeu alguns prêmios e menções honrosas. Mais do que tudo, sabotou a si própria de maneira ativa e consciente - um método para manter sua potência transformadora e a desconfiança do poder institucional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também percebemos muito cedo que não nos interessava simplesmente reutilizar a tecnologia em si, mas sim o hábito de apropriação tão presente nas culturas populares do Brasil. Identificamos e buscamos valorizar as práticas da gambiarra, como criatividade cotidiana e vernacular desenvolvendo soluções com quaisquer objetos, conhecimentos ou pessoas disponíveis; e do mutirão, como formação coletiva dinâmica orientada à solução de problemas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em sua atuação, a MetaReciclagem situou-se em diferentes contextos institucionais e discursivos. Se o ativismo midiático baseado na ideia de mídia tática foi um dos primeiros fundamentos de agregação da rede, foi o campo da inclusão digital que nos ofereceu a oportunidade de estabelecermos laboratórios e desenvolvermos experimentações - ainda que buscando sempre ir além do mero acesso e propondo a apropriação de tecnologias com base em uma cultura livre. Com o tempo descobrimos que aquilo que fazíamos tinha paralelos com &lt;em&gt;hacklabs&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;hackerspaces&lt;/em&gt; e toda a cena de cultura de faça-você-mesmo. Entendemos que estávamos assumindo uma posição de resistência contra a obsolescência programada, que teríamos um papel importante no debate sobre a questão do lixo eletrônico. Algumas pessoas da rede estabeleceram um diálogo produtivo e continuado com o campo da arte eletrônica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa trajetória está diretamente ligada à prioridade que sempre atribuímos à ideia de abertura, que necessariamente acompanha uma cultura livre. Uma sensibilidade do abrir, aproximando as pessoas da tecnologia para entender como as coisas funcionam, reordenar seus componentes, inventar outros usos, propor outras interpretações. Uma prática da abertura que implica uma estética da abertura (e sua relação com o ruído, a sujeira, a imperfeição, o inesperado). Estética da abertura que necessariamente se relaciona com uma ética da abertura, da participação, do compartilhamento. A compreensão da abertura como princípio político. Um dos resultados desse posicionamento é o fato de a MetaReciclagem ter evitado uma institucionalização centralizada. Em vez de definir uma estrutura hierárquica definida, ela se concretiza de forma fluida e cambiante, sugerindo formas de mobilizar ações que são supostamente mais adequadas a um contexto altamente enredado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir de 2003, o Brasil passaria por grandes transformações. Em especial na política cultural. Na esteira da eleição de Lula como Presidente da República, uma personagem inesperada para o jogo político tradicional se alçaria ao posto de Ministro da Cultura: Gilberto Gil. Músico com reconhecimento internacional e uma das principais vozes do tropicalismo - movimento cultural surgido nos anos sessentas que propunha o diálogo entre manifestações culturais tradicionais, as vanguardas artísticas urbanas e a emergente cultura pop -, Gil sempre demonstrou uma curiosidade a respeito do papel que as tecnologias digitais poderiam exercer na cultura.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O novo dirigente traria uma transformação fundamental para o Ministério: em vez de entender cultura somente sob o prisma da economia do entretenimento e do mercado da arte, propunha um entendimento antropológico da cultura como o conjunto de tudo aquilo que nos faz humanos, vivendo em sociedade. A partir desta perspectiva é que seria criado, sob a coordenação de Celio Turino, o programa Cultura Viva, que propunha um &quot;do-in antropológico&quot;. O projeto pretendia identificar e estimular pontos potencialmente transformadores para as culturas brasileiras: os espaços que viriam a ser chamados de Pontos de Cultura.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Logo depois de sua criação, o projeto Cultura Viva decidiu incluir uma vertente digital que incorporava uma profunda reflexão a respeito de autonomia dos saberes, da generosidade implícita nas licenças livres e abertas, da valorização de uma postura hacker (o próprio Ministro posicionou-se como um &quot;ministro hacker&quot;), e da livre circulação de produção cultural. Naquele contexto, o digital não era entendido somente como uma nova linguagem, mas pelo contrário como elemento potencialmente integrador de diferentes linguagens artísticas e formas de expressão cultural.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para planejar e implementar essa visão, o Ministério convidaria integrantes de diversos grupos, coletivos e redes que se dedicavam a questões de ativismo midiático, cultura livre e tecnologias de comunicação. Isso daria ensejo a uma série de ações em conjunto: encontros, festivais, oficinas, processos de formação e intercâmbio. Centenas de grupos em todas as regiões do Brasil tiveram seu primeiro contato com tecnologias de produção cultural, e já começavam usando softwares livres.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;
	Laboratórios&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Nos anos seguintes, uma questão começou a me inquietar em particular: se algumas das pessoas mais capacitadas em relação à fronteira entre tecnologia e cultura estão ocupadas dando oficinas para compartilhar o que já aprenderam, quem é que vai se ocupar de pensar e desenvolver o futuro dessas tecnologias? Criar e ensinar são momentos igualmente necessários, mas em muitos casos exigem disposições mentais distintas. Em determinado momento, parecia que só estávamos criando alternativas de viabilidade para a formação, deixando de lado o aprofundamento, a experimentação formal e o questionamento do imaginário social envolvido em todas essas questões. Além de promover o acesso à cultura digital, como poderíamos apoiar o próprio desenvolvimento da cultura (sem adjetivos) em diálogo com esses novos contextos que têm surgido? Se tínhamos uma visão crítica ao imaginário dos &lt;em&gt;medialabs&lt;/em&gt; dos EUA e Europa, o que é que poderíamos propor para sucedê-los?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pensando nessas questões, criei em 2010 a plataforma &lt;a href=&quot;http://redelabs.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Rede//Labs&lt;/a&gt;, que naquele ano estabeleceu uma parceria com o Ministério da Cultura para investigar que tipo de arranjo formal e administrativo se fazia necessário para estimular esse tipo de desenvolvimento. Queríamos entender o que deveria ser um laboratório experimental adequado aos dias de hoje. Passamos alguns meses conversando com dezenas de pessoas e grupos atuantes nesse contexto no Brasil e no exterior. Organizamos um blog, promovemos um encontro com pessoas vindas de todo o país e um painel internacional sobre laboratórios de mídia e laboratórios experimentais. Conversamos bastante sobre como sustentar uma cultura de inovação baseada em princípios de liberdade, abertura e compartilhamento, e orientada a demandas da sociedade, não simplesmente ao lucro. Identificamos temas emergentes como a cena &lt;em&gt;maker&lt;/em&gt;, a prototipagem digital, as mídias locativas, a realidade expandida, as cartografias colaborativas, o &lt;em&gt;hardware&lt;/em&gt; livre, a internet das coisas, os sensores interconectados, entre outros. Entendemos que o laboratório experimental ideal não é (somente) um estúdio, e que também não é (somente) uma escola. Chegamos a esboçar com o Ministério um mecanismode apoio formal à cultura digital experimental, e traçar planos para a implementação de uma rede de laboratórios de arte e tecnologia financiados pelo Ministério da Cultura.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Infelizmente, a passagem de ano para 2011 assistiu a uma mudança brusca no comando no Ministério da Cultura, o que fez com que todas essas ações e planos caíssem no vazio institucional que se seguiu&lt;a href=&quot;#sdfootnote1sym&quot; name=&quot;sdfootnote1anc&quot; rel=&quot;nofollow&quot; id=&quot;sdfootnote1anc&quot;&gt;&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;&lt;/a&gt;. A nova prioridade no Ministério era a Secretaria de Economia Criativa. Ainda que mais aberta do que o referencial britânico das indústrias criativas, era nítida a reorientação desde a visão antropológica da cultura em direção a uma visão da cultura como mercado privilegiado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No fim de 2011, Rede//Labs estabeleceu uma parceria de pesquisa com o Centro de Cultura Espanhola de São Paulo, subordinado à AECID. Nos meses seguintes, redigi uma série de artigos sobre laboratórios experimentais em rede, e articulei a produção de quatro vídeos sobre diferentes organizações e cenários no Brasil que atuam nesse campo. Apesar da boa repercussão da parceria, a crise econômica na Espanha ocasionou o encerramento das atividades do CCE de São Paulo, e no mesmo caminho seguiram as expectativas de dar sequência à pesquisa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao longo desses percursos, acredito que tenhamos aprendido algumas lições. Ou ao menos aprendemos a melhor elaborar algumas questões. Uma delas diz respeito ao aprisionamento ao mercado. Como é que podemos estimular a consolidação de um tipo de reflexão e de prática culturais que estão ligadas à multiplicação dos instrumentos de informação e comunicação, mas como fazemos isso sem cair na armadilha da mensuração econômica segundo a qual tudo que não tem valor comercial não merece investimento? Quais os caminhos para propor colaboração antidisciplinar, que não somente ultrapasse as barreiras entre as disciplinas, mas deixe-as para trás?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outra questão que tem surgido e inspirado cada vez mais propostas é a integração entre os fluxos das redes digitais e os fluxos das ruas. Em vez de cair naquela visão (que muitos já consideram obsoleta) segundo a qual a internet era a negação da cidade - seu extremo oposto-, um grande número de iniciativas tem buscado justamente relacionar essas duas dimensões diferenciadas de sociabilidade dentro de uma visão integrada. São ações que se desenrolam simultaneamente na internet e nas cidades, que relacionam e retroalimentam o âmbito dos &lt;em&gt;commons&lt;/em&gt; digitais juntamente ao âmbito do espaço público urbano. Que trazem a cultura livre para as ruas ao mesmo tempo em que levam a criatividade vernacular e as táticas de apropriação do cotidiano para as redes online. Projetos de mapeamento digital colaborativo, intervenções (e festas) que tomam as ruas. Ações que pensam a própria rua como laboratório, abundante em recursos pouco utilizados e em soluções inovadoras. Que pensam mesmo o laboratório convencional como espaço situado no cenário urbano, potencialmente um espaço de contato que ainda precisamos entender melhor. Que incentivam a ciência cidadã, a criatividade economicamente improdutiva, o &lt;em&gt;hacking&lt;/em&gt; de imaginário social. Valores como integração, amizade, afeto, colaboração e tolerância ultrapassando a competição. Porque no fundo o que queremos são futuros mais justos, participativos e inclusivos. E isso não será possível sem desenvolvermos plenamente o potencial das nossas cidades, incorporando os adjetivos que façam sentido durante o caminho mas sem perder de vista o horizonte.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O caminho é longo, mas já estamos em marcha.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;&lt;div id=&quot;sdfootnote1&quot;&gt;
	&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;#sdfootnote1anc&quot; name=&quot;sdfootnote1sym&quot; rel=&quot;nofollow&quot; id=&quot;sdfootnote1sym&quot;&gt;1&lt;/a&gt;Devo aqui acrescentar que em setembro de 2012 houve nova mudança de Ministra da Cultura no Brasil. Enquanto escrevo este texto escuto boatos de retomada de ações mais experimentais em cultura e tecnologia. Aguardemos.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field field-name-taxonomy-vocabulary-1 field-type-taxonomy-term-reference field-label-above&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-label&quot;&gt;Tags:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/category/tags/cidade&quot;&gt;cidade&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/cidades-digitais&quot;&gt;cidades digitais&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/metareciclagem&quot;&gt;metareciclagem&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/urbe&quot;&gt;urbe&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description>
 <pubDate>Tue, 30 Oct 2012 00:23:32 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Juba - primeira cidade de código aberto no mundo?</title>
 <link>http://ubalab.org/blog/juba-primeira-cidade-de-codigo-aberto-no-mundo</link>
 <description>&lt;div class=&quot;field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;p&gt;Stephen Kovats foi diretor do festival alemão &lt;a href=&quot;http://transmediale.de&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Transmediale&lt;/a&gt;, na época em que o festival abriu as portas para a &lt;a href=&quot;http://rede.metareciclagem.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;MetaReciclagem&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://bricolabs.net&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Bricolabs&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://pub.descentro.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;descentro&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://dynebolic.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;dynebolic&lt;/a&gt; e outrxs. Kovats está agora à frente da &lt;a href=&quot;http://r0g-media.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;r0g&lt;/a&gt;, agência que promove a cultura aberta e a transformação crítica. Nesta semana, eles estão organizando o #&lt;a href=&quot;http://r0g-media.org/osjuba/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;osjuba&lt;/a&gt;, que investiga a contribuição que as metodologias de código aberto, transparência de dados e cultura livre podem oferecer para criação de Estados sustentáveis e viáveis, em especial em zonas emergindo de conflito deflagrado. Estados, vejam bem, com maiúscula: eles estão pensando em administração pública, com a possibilidade de implementação prática em &lt;a href=&quot;https://pt.wikipedia.org/wiki/Juba_%28Sud%C3%A3o_do_Sul%29&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Juba&lt;/a&gt;, capital do &lt;a href=&quot;https://pt.wikipedia.org/wiki/Sud%C3%A3o_do_Sul&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Sudão do Sul&lt;/a&gt; - país surgido em 2011 no nordeste da África. O horizonte com o qual estão trabalhando por lá é que Juba se torne a primeira cidade de código aberto no mundo. Entender o que significaria isso e como chegar lá é o objetivo do &lt;a href=&quot;http://www.supermarkt-berlin.net/content/osjuba-juba-worlds-first-open-source-city&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;encontro&lt;/a&gt; que acontece entre hoje e amanhã em Berlim. Haverá stream ao vivo entre as 10h e 13h e entre 17h e 18h (horário de Berlim, cinco horas a mais que no Brasil).&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field field-name-taxonomy-vocabulary-1 field-type-taxonomy-term-reference field-label-above&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-label&quot;&gt;Tags:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/category/tags/cidade&quot;&gt;cidade&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/cidades-digitais&quot;&gt;cidades digitais&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/urbe&quot;&gt;urbe&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description>
 <pubDate>Thu, 21 Jun 2012 16:29:01 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Cidades digitais, a gramática do controle e os protocolos livres</title>
 <link>http://ubalab.org/blog/cidades-digitais-gramatica-do-controle-e-os-protocolos-livres</link>
 <description>&lt;div class=&quot;field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;p&gt;Minha busca por alternativas locais, sustentáveis e justas para o desenvolvimento de inovação e tecnologias livres aponta cada vez mais para a necessidade de maior articulação entre duas classes de estruturas informacionais que se sobrepõem: a &lt;em&gt;cidade&lt;/em&gt; e as &lt;em&gt;redes digitais&lt;/em&gt;. Eu escrevi aqui no ano passado sobre a perspectiva de &lt;a href=&quot;http://ubalab.org/blog/metareciclando-cidades-digitais&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;cidade como sistema operacional&lt;/a&gt;. Essa aproximação não é inédita. Na mesma fronteira mas talvez em sentido inverso, o artigo &lt;a href=&quot;http://www.thenextlayer.org/node/1346&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Reading the Digital City&lt;/a&gt;, publicado no Next Layer por &lt;a href=&quot;http://t0.or.at/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Clemens Apprich&lt;/a&gt;, analisa justamente a influência que a ideia de cidade exerceu nos primeiros anos de popularização da internet, e como essa influência foi usada para estabelecer relações de &lt;em&gt;controle e poder&lt;/em&gt;:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&quot;Não é por acidente que a cidade tenha sido escolhida como uma das mais significativas metáforas para os primeiros dias da internet. A cidade tem (como o Ciberespaço) uma origem militar e é definida (pelo menos simbolicamente) por muros cujos portões constituem a interface para o resto do mundo. (...) A interface determina como o usuário concebe o próprio computador e o mundo acessível a partir dele.&quot;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Naquele momento, em meados dos anos noventa, procurava-se entender como os processos sociais aconteceriam em um espaço de fluxos para o qual não existia precedente histórico. Lançou-se mão da cidade como modelo de organização e identidade, mas também como instrumento para estabelecer &lt;em&gt;limites&lt;/em&gt;. Eu ainda não tinha refletido, no contexto contemporâneo das redes, sobre a questão da cidade também como &lt;em&gt;controle e segregação de identidades&lt;/em&gt;. Talvez porque o urbanismo que eu vivencio cotidianamente seja algo mais permeável do que a referência histórica de Apprich, um pesquisador austríaco. Por aqui não temos muralhas separando a cidade histórica de seus desenvolvimentos posteriores, como ainda pode ser visto em Barcelona, Londres e outras cidades europeias. Na minha experiência, pensar no limite entre cidades é visualizar uma placa na estrada, cercada de vazio. Até que ponto isso se torna uma barreira cultural quando se fala em urbanismo? A ordem urbana europeia, invejada por boa parte da classe média brasileira, é considerada por alguns pesquisadores uma grande castradora da inovação, como sugere &lt;a href=&quot;http://www.doorsofperception.com/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;John Thackara&lt;/a&gt; em &quot;&lt;a href=&quot;http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=3850&amp;amp;tipo=2&amp;amp;isbn=8502076957&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Plano B&lt;/a&gt;&quot;: &lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&quot;Grande parte do nosso mundo é simplesmente projetado demais. Controle demais sobre o espaço público é prejudicial para a sustentabilidade dos locais. Várias cidades europeias estão levando em consideração a promulgação de zonas livres de design, nas quais o planejamento e outras melhorias de cima para baixo e de fora para dentro serão mantidas a distância para permitir os tipos de experimentação que podem surgir, sem planejamento e inesperadamente, de um território selvagem, livre de design.&quot;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Quando nossas realidades que tendem muito mais à complexidade - senão ao caos - entram em contato com essas referências trazidas de fora, é natural que surja &lt;em&gt;conflito&lt;/em&gt;. &lt;a href=&quot;http://theinternetofthings.eu/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Rob Kranenburg&lt;/a&gt; chamou minha atenção para dois artigos sobre o megaprojeto de monitoramento urbano no Rio: na &lt;a href=&quot;http://www.fastcompany.com/1712443/building-a-smarter-favela-ibm-signs-up-rio&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Fast Company&lt;/a&gt; e em um site &lt;a href=&quot;http://english.etnews.co.kr/news/detail.html?id=201102140008&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;coreano&lt;/a&gt;. É claro que usar tecnologias de informação para prever deslizamentos e enchentes é necessário. Os problemas são a &lt;em&gt;gramática do &quot;centro de controle&quot;&lt;/em&gt; (no mínimo uma ilusão em uma cidade como o Rio) e a pretensão de que esse tipo de projeto esgote o assunto &quot;cidades inteligentes&quot;. Centros de informação para prevenção de emergências são somente a ponta do iceberg em um cenário urbano recheado de dispositivos de produção, transmissão e análise de dados. Mas minha questão para esses projetos é: &lt;em&gt;a quem pertencem os dados gerados&lt;/em&gt;? Como acessá-los? A tendência é o surgimento de todo um novo domínio de informação relevante para toda a sociedade, e ninguém está debatendo sobre como essa informação vai circular. Grande parte dos atores envolvidos só querem saber quanto &lt;em&gt;dinheiro&lt;/em&gt; ou quanta &lt;em&gt;exposição na mídia&lt;/em&gt; essas tecnologias vão gerar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um elemento comum, mas raramente analisado, nas propostas de &quot;&lt;a href=&quot;http://www.guardian.co.uk/smarter-cities&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;cidades inteligentes&lt;/a&gt;&quot; é justamente a &lt;em&gt;tensão entre controle e emergência&lt;/em&gt; (como já comentei &lt;a href=&quot;http://desvio.cc/blog/inovacao-e-tecnologias-livres-parte-2-hojes-e-depois&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;). Não podemos ser ingênuos. A cidade, enquanto tecnologia de organização de informação, é usada frequentemente como instrumento de &lt;em&gt;manutenção das relações de poder&lt;/em&gt;. O controle não é exercido somente sobre a circulação de pessoas, objetos e informações, mas também sobre as maneiras como a própria cidade se desenvolve. Isso está presente em grande parte das cidades do Brasil (e certamente do mundo): o envolvimento escuso da indústria imobiliária com as campanhas políticas em troca de favorecimento futuro, a gentrificação dos centros e o urbanismo midiático que adota a lógica do espetáculo e se relaciona mais com a mídia do que com a população. São iniciativas impostas de cima para baixo, sem dialogar com aquilo que é a própria essência da cidade: as &lt;em&gt;redes formais e informais de circulação de informação&lt;/em&gt;. Essa é uma limitação que inevitavelmente vai se repetir nos projetos de tecnologias aplicadas ao cenário urbano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mesmo iniciativas bem intencionadas acabam geralmente refletindo a lógica do controle. No post sobre &lt;a href=&quot;http://blog.redelabs.org/blog/laboratorios-experimentais-interface-rede-rua&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;laboratórios como interfaces&lt;/a&gt; eu já havia criticado o &lt;a href=&quot;http://www.thevenusproject.com/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;projeto Venus&lt;/a&gt;, de &lt;a href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacque_Fresco&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Jacque Fresco&lt;/a&gt;, como exposto no documentário &lt;a href=&quot;http://www.zeitgeistaddendum.com/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Zeitgeist Addendum&lt;/a&gt;. Vou me permitir falar mais um pouco sobre isso porque Fresco foi novamente entrevistado para o terceiro filme, &lt;a href=&quot;http://www.zeitgeistmovingforward.com/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Zeitgeist - Moving Forward&lt;/a&gt;. O documentário tem alguns momentos interessantes, como mostrar o potencial transformador das iniciativas de &lt;em&gt;prototipagem e fabricação doméstica&lt;/em&gt; como o &lt;a href=&quot;http://reprap.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;RepRap&lt;/a&gt; de Adrian Bowyer. Mas pretende (uma vez mais) indicar a supremacia da ciência sobre a economia, a religião e a política. E entende esses três assuntos de maneira superficial, não reconhecendo que são em última instância o resultado de alguns milênios de evolução de nossas necessidades materiais, espirituais e sociais. Sugerir que se jogue tudo isso fora para viver uma vida &lt;em&gt;controlada e homogênea&lt;/em&gt; é uma insanidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Jacque Fresco tem uma imaginação ímpar. É certamente um visionário. Mas passa a impressão de ignorar a história humana (talvez só tenha lido ficção científica). Sua proposta de cidade ideal, além de provavelmente entediante, também tem alguns problemas de condicionamento. Não por acaso, um dos elementos centrais de seu projeto é o &quot;centro de controle&quot;, com um &quot;mainframe&quot; que gerencia sensores espalhados por toda a cidade e permite o monitoramento de tudo o que acontece. Subliminarmente, cria-se uma &lt;em&gt;assimetria&lt;/em&gt; entre quem administra (controla) a cidade, e a população que só tem acesso restrito aos dados gerados. É a mesma lógica que opera em experimentos corporativos como os dos laboratórios da francesa &lt;a href=&quot;http://www.newelectronics.co.uk/electronics-technology/cover-story-smartening-up-the-city-with-smart-metering/30894/ &quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Orange&lt;/a&gt;: sensores vão gerar dados, que serão úteis para tomar decisões que vão refletir no gasto público (energia, manutenção, semáforos, etc.) É a administração das cidades (em conjunto com as próprias empresas que desenvolvem a infraestrutura) quem decide o que vai ser feito com esses dados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O problema, obviamente, não são os sensores ou o monitoramento em si. No ano passado, enquanto visitava com o grupo do &lt;a href=&quot;http://desvio.cc/blog/labtolab-dia-dia&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;LabtoLab&lt;/a&gt; o espaço &lt;a href=&quot;http://latabacalera.net/ &quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;La Tabacalera&lt;/a&gt; em Madrid, debatemos rapidamente sobre as câmeras espalhadas pelo prédio (uma antiga fábrica de tabaco), cujo centro de controle ficava justamente no &lt;em&gt;Espacio Copyleft&lt;/em&gt; daquele centro cultural. Alguns artistas e ativistas levantaram a possível contradição entre o copyleft e as câmeras. Eu discordei, argumentando que o problema não eram as câmeras em si, mas a potencial relação de poder embutida nelas: quem é que tem acesso à informação que elas capturam e transmitem? Se toda a comunidade tivesse acesso às câmeras, talvez elas pudessem ser entendidas como a &lt;em&gt;radicalização da coletividade&lt;/em&gt;, em vez de invasão de privacidade. Não era o caso, mas eu estava tentando desconstruir aquela associação direta entre monitoramento e controle. Nesse sentido, o problema não são os dispositivos que geram dados, mas quem é que está autorizado a acessar e manipular esses dados e a informação que vão gerar. Em outras palavras, interessa saber se o sistema é desenhado para o controle ou para a participação.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Cidades conversacionais&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://twitter.com/#!/agpublic&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Adam Greenfield&lt;/a&gt; publicou no Urban Scale o artigo &quot;&lt;a href=&quot;http://urbanscale.org/2011/02/17/beyond-the-smart-city/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Além da cidade inteligente&lt;/a&gt;&quot;, no qual discorre sobre a importância de padrões abertos em um cenário urbano iminente no qual diversos objetos geram informações que são disponibilizadas aos cidadãos: com o objetivo de &quot;alavancar o poder do processamento de informação em rede para possibilitar um modo mais leve, flexível e responsivo, até brincalhão, de interagir com a diversidade metropolitana&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para isso, ele considera fundamental que esses objetos adotem &lt;em&gt;protocolos abertos&lt;/em&gt; e publiquem dados de forma aberta. &quot;A vantagem primordial dos dados abertos nesse contexto é que eles resistem a tentativas de concentração poder através da alavancagem de assimetrias de informação e diferenciais de acesso. Se uma pessoa tem esse conjunto de dados, todas têm&quot;. Ele associa o potencial inovador em ver a cidade como software de código aberto: &quot;assim como o programador iniciante é convidado a aprender, entender e até incrementar - &#039;hackear&#039; - software de código aberto, a própria cidade deveria convidar seus usuários a demistificar e reengenheirar [N.T.: desculpem pelo pelo neologismo] os lugares nos quais vivem e os processos que geram significado, no nível mais íntimo e imediato&quot;. Mais tarde, escreve &quot;se por nenhuma outra razão do que as expectativas serem tão altas, qualquer sistema distribuído com uma superfície de ataque tão ampla quanto uma cidade enredada precisa verdadeiramente da segurança acentuada que acompanha o desenvolvimento aberto. Ou seja, &lt;em&gt;a internet das coisas precisa ser aberta&lt;/em&gt;.&quot; Greenfield acredita (e eu também) na criatividade potencial que reside nas pontas, na apropriação cotidiana, na liberdade potencial que acompanhar os protocolos abertos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entretanto, em paralelo à especificação da questão essencial dos protocolos é necessário refletir sobre e esclarecer a maneira como entendemos a cidade do futuro: se queremos uma mera máquina para a manutenção do &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt; e alimentação do sistema capital-consumista, ou uma &lt;em&gt;construção participativa&lt;/em&gt; que possibilite o pleno desenvolvimento do potencial humano, criativo e econômico de cada indivíduo e grupo que nela vive. Eu acho muito relevantes algumas iniciativas que aparentemente passam ao largo da discussão mais específica sobre tecnologias da informação mas acabam cumprindo o papel fundamental de debater a cidade como uma tecnologia em si. Um exemplo é a rede &lt;a href=&quot;http://www.nossasaopaulo.org.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Nossa São Paulo&lt;/a&gt;, que busca transformar a cidade em um &lt;em&gt;espaço conversacional cooperativo&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tecnologia é poder. &lt;a href=&quot;http://twitter.com/#!/marcbraz&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Marcelo Braz&lt;/a&gt; mandou na lista MetaReciclagem a dica de um &lt;a href=&quot;http://www.oei.es/noticias/spip.php?article664&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;texto de Langdon Winner&lt;/a&gt; que toca nesses aspectos:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&quot;A esperança de que novas tecnologias trarão liberdade e democracia tem sido um tema comum nos últimos séculos. Às vezes essas idéias são razoáveis ou até louváveis. O que elas têm em comum é uma crença de que a inovação traz uma grande benção e que não envolve imaginação, esforço ou conflito. O que freqüentemente ocorre, entretanto, é que a forma institucionalizada da tecnologia – na indústria, nos meios de comunicação etc – incorpora poder econômico e político.&quot;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Pensar a cidade como sistema operacional invariavelmente leva ao &lt;em&gt;conflito&lt;/em&gt; com poderes estabelecidos localmente, em especial aqueles que se baseiam na &lt;em&gt;manutenção de privilégios&lt;/em&gt; através da escassez de informação. É um conflito implícito, e essa é uma de suas qualidades. Seu impacto profundo se revela gradualmente, e a partir de determinado momento se torna &lt;em&gt;irreversível&lt;/em&gt;. É uma corrida de resistência, e estamos nela pelo longo prazo. O desenvolvimento de tecnologias de informação e sua incorporação ao cotidiano (a partir de &lt;a href=&quot;http://desvio.cc/blog/inovacao-e-tecnologias-livres-parte-2-hojes-e-depois&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;laboratórios experimentais locais baseados em tecnologias livres&lt;/a&gt;) é um braço importante dessa busca. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field field-name-taxonomy-vocabulary-1 field-type-taxonomy-term-reference field-label-above&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-label&quot;&gt;Tags:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/category/tags/cidade&quot;&gt;cidade&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/cidades-digitais&quot;&gt;cidades digitais&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/metareciclagem&quot;&gt;metareciclagem&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/urbe&quot;&gt;urbe&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/reprap&quot;&gt;reprap&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/iot&quot;&gt;iot&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/transparencia&quot;&gt;transparencia&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/dados-abertos&quot;&gt;dados abertos&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/opendata&quot;&gt;opendata&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description>
 <pubDate>Tue, 05 Apr 2011 20:36:11 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Cidade expandida</title>
 <link>http://ubalab.org/blog/cidade-expandida</link>
 <description>&lt;div class=&quot;field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://nomada.blogs.com/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Juan Freire&lt;/a&gt; está escrevendo uma série de artigos sobre a ideia de &quot;cidade expandida&quot;. Ele levanta algumas questões críticas sobre a própria ideia de urbanismo (normalmente associada a arquiteturas de controle da sociedade) e se pergunta como a cidade expandida se relaciona com a cultura pós-digital, articulada com a perspectiva da ecologia de redes. Ele sugere o formato de &lt;em&gt;rua open source&lt;/em&gt; (em oposição à &lt;em&gt;rua fechada&lt;/em&gt;), que requer infraestruturas (e infoestruturas), protocolos e participação específicos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Já foram quatro de cinco posts:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomada.blogs.com/jfreire/2010/11/territorio-geologia-infraestructuras-politica.html&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Territorio = geología x infraestructuras x política&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomada.blogs.com/jfreire/2010/11/la-evolucin-de-las-ciudades-arquitectura-y-control.html&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;La evolución de las ciudades: arquitectura y control&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomada.blogs.com/jfreire/2010/11/ciudad-expandida-modelos-urbanos-en-el-paradigma-de-las-ecologas-en-red.html&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Ciudad expandida: Modelos urbanos en el paradigma de las ecologías en red&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomada.blogs.com/jfreire/2010/11/cultura-postdigital-y-ciudad-expandida.html&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Cultura postdigital y ciudad expandida&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;Estou esperando aqui pelo último post, e acho que tem alguma relação com a reflexão que eu propus no post &lt;a href=&quot;http://ubalab.org/blog/metareciclando-cidades-digitais&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;MetaReciclando as cidades digitais&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field field-name-taxonomy-vocabulary-1 field-type-taxonomy-term-reference field-label-above&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-label&quot;&gt;Tags:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/cidades-digitais&quot;&gt;cidades digitais&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/urbe&quot;&gt;urbe&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/desurbe&quot;&gt;desurbe&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/aliadxs&quot;&gt;aliadxs&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/gringxs&quot;&gt;gringxs&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/digital&quot;&gt;digital&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/pos-digital&quot;&gt;pós-digital&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description>
 <pubDate>Tue, 23 Nov 2010 00:05:44 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">16 at http://ubalab.org</guid>
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<item>
 <title>MetaReciclando as cidades digitais</title>
 <link>http://ubalab.org/blog/metareciclando-cidades-digitais</link>
 <description>&lt;div class=&quot;field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Participei recentemente de um seminário sobre Cidades Digitais, organizado pela Unesp de Araraquara e realizado no SESC daquela cidade. Foi uma boa oportunidade para aprofundar algumas reflexões que já andei esboçando nos últimos tempos. Minha apresentação transformou-se no texto abaixo. A primeira parte não tem muita novidade, mas pode ser interessante pra quem está conhecendo a MetaReciclagem agora. Os slides da apresentação estão &lt;a href=&quot;http://www.scribd.com/doc/36326097/Metareciclando-Cidades-Digitais&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;disponíveis no scribd&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esse post faz parte da &lt;a href=&quot;http://mutgamb.org/mutsaz/Chamada-MutSaz-Inverno-2010&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;blogagem coletiva de inverno do Mutgamb&lt;/a&gt;, inspirado por Pozimi.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;h2&gt;MetaReciclagem (de novo)&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Nos próximos meses, a rede &lt;a href=&quot;http://rede.metareciclagem.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;MetaReciclagem&lt;/a&gt; completa oito anos de um diálogo aberto e colaborativo sobre a apropriação de tecnologias. Insistimos em não aceitar as caixinhas temáticas em que muitas vezes tentam nos enquadrar - associando as práticas da rede ao mero reuso de computadores com a instalação de software livre e montagem de espaços de acesso livre à internet. Por certo que isso constitui uma das bases comuns da rede, que assumiu mesmo ao longo do tempo um caráter ritual, de replicação de metodologias que constroem identidade. Mas nossos horizontes são mais amplos, tratando a desconstrução de tecnologias como um universo abrangente - que inclui computadores e dispositivos enredados, mas também a construção de habitações, a culinária, a tecnologia aplicadas ao meio ambiente, assim como os meios de comunicação, as linguagens artísticas, as formas coletivas de organização e existência. Tratando como tecnologia qualquer ação ou objeto que embuta um propósito a partir de algum método.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O aspecto da &lt;em&gt;desconstrução&lt;/em&gt; merece um pouco mais de atenção. O que importa aqui não é tanto seu aspecto objetivo, mas sim o processual - não o ponto a que a desconstrução leva, mas o caminho que percorre. É o proverbial &quot;abrir a caixa preta&quot;, questionando cada faceta daquilo que nos é apresentado. A abertura supõe antes de mais nada uma sensibilidade do gesto de abrir, uma habilidade relacionada à percepção daquilo que pode ser aberto. Mesmo tratando-se de caixas pretas simbólicas, buscamos processos evolutivos - como o monolito de &lt;a href=&quot;http://www.imdb.com/title/tt0062622/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;2001&lt;/a&gt; - cuja mera existência, em tese, teria provocado a curiosidade que nos diferenciou das bestas. É essa curiosidade, que traz o potencial criativo a cada momento, que emerge como traço comum a todos os bandos metarecicleiros. Uma criatividade não mais separada da experiência cotidiana, mas harmonizada com todos os aspectos da vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Complementar à gestualidade da abertura é a defesa da livre circulação de informação e conhecimento: as ações de MetaReciclagem usam software livre, buscam caminhos para o desenvolvimento de hardware aberto, promovem o espectro eletromagnético aberto, publicam conteúdo com licenças livres, e assim por diante. A rede em si funciona não somente como virtualização das relações, mas como espaço socialmente construído, que estende o potencial das ações locais - em escala proporcional à quantidade de informação que os atores locais publicam e à diversidade dos integrantes da própria rede.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sempre esteve presente na MetaReciclagem a certeza de que é difícil estabelecer limites precisos entre o que é online e offline. Essa visão se reflete nas múltiplas identidades que ela assume - compreendendo simultaneamente o relacionamento com comunidades a partir de ações ultralocais e a mais profunda sensação de socialização remota. Isso possibilita um nível elevado de produção colaborativa e enredada: ideias e projetos desenvolvidos através da rede, que podem ser rapidamente replicados em qualquer lugar.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Cidades Digitais&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;De certa forma, articular a perspectiva da cidade traz para as redes um contraponto que pode ser muito produtivo. A cidade é a experiência imediata de estar em sociedade, uma experiência cuja iminente irrelevância os mais afoitos pregadores das redes digitais quiseram determinar. Segundo eles, a vida na cidade seria cada vez menos necessária, uma vez que não precisaríamos mais conviver com vizinhos desagradáveis. Felizmente, estavam equivocados em sua tentativa de elevar ao extremo o efeito da câmara de eco - em que as pessoas só ouvem opiniões parecidas com as suas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje a cidade volta ao foco não como oposto do digital, mas como um cenário que ele pode ampliar e multiplicar, e com isso ampliar-se e multiplicar-se a si mesmo. É uma relação claramente complementar. Nos últimos anos foram desenvolvidos milhares de sistemas, ferramentas e aplicativos, além de instalações artísticas, projetos educacionais e outros, que propõem o hibridismo entre as redes e o &quot;mundo lá fora&quot;, que possibilita uma infinidade de interfaces em potencial. Em paralelo, veio também a disseminação do discurso das &quot;cidades digitais&quot;. Mesmo que se tenha constituído como mais uma expressão da moda para os surfistas de hype, que adotam ideias que soam impactantes sem necessariamente pensar seriamente em suas consequências, é interessante pensar na expansão das possibilidades enredadas para as cidades. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É possível construir pontes entre as propostas da MetaReciclagem e a ideia de cidades digitais. Desconstruir os equívocos comumente associados às tecnologias digitais é relativamente trivial, coisa que já estamos fazendo há alguns anos. Por exemplo: apesar do suporte digital, grande parte dos usos das novas tecnologias são experiências analógicas - mover um mouse ou tocar na tela, ver uma imagem, escutar música. Chamá-las de digitais só faz deslocar o foco do que é realmente importante: as possibilidade de &lt;em&gt;desintermediação, colaboração e auto-gestão&lt;/em&gt;. Outro aspecto que deve ser considerado em relação a essas tecnologias: acesso não é tudo. Para falar a verdade, &lt;em&gt;acesso não é quase nada&lt;/em&gt;. Existem tantas camadas que se sobrepõem ao mero acesso que toda a retórica da inclusão precisa ser repensada, ainda mais se colocada em perspectiva. Em levando-se a sério, qualquer iniciativa de inclusão propriamente dita deveria ansiar pela própria irrelevância em alguns anos. Deveria considerar que sua missão terá sido cumprida quando não for mais necessária. Assim, aquelas experiências de cidades digitais que tratam apenas de oferecer acesso à internet, mesmo sem fio, deixam de lado um potencial tremendo. Precisam, antes de mais nada, incorporar a convicção de que as tecnologias são políticas, que constroem e transformam imaginários. Não são meros instrumentos cujos usos estão encerrados em maneiras pré-definidas de uso. Por isso, tais projetos não podem submeter-se à lógica do mercado, que trata as tecnologias somente como oportunidades de expandir e aumentar os lucros dos mercados de &quot;produção cultural&quot;. É fundamental que se estimulem a experimentação, a reinvenção e a liberdade de usos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas todos esses argumentos (hoje em dia) são quase óbvios. Eu gostaria de ir um pouco além. Me interessa pensar sobre a própria ideia de cidade. A gente muitas vezes esquece que a ideia contemporânea de cidade não é um absoluto, mas um episódio a mais de um longo processo histórico. Desde os primeiros assentamentos e tribos, passando por aldeias, pela &lt;em&gt;polis&lt;/em&gt; grega e cidades-estado, os diferentes impérios do ocidente e oriente, o limite entre caos e civilização do mundo romano e sua decadência, os castelos medievais, os burgos, até a aglomeração que se viu a partir da revolução industrial. Uma transição que fez com que a vida em sociedade perdesse a sensação de familiaridade (uma vez mais, e radicalmente), acompanhada de projetos urbanísticos e de políticas públicas que ajudaram a forjar a ideia moderna de cidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A cidade como a conhecemos hoje é o reflexo de um ideal de sociedade - industrializada, capitalista, baseada na democracia representativa e no cristianismo. Nessa forma idealizada, a cidade possui algumas características específicas:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;&lt;li&gt;induz ao agrupamento por atividade econômica, que traz vantagem competitiva a todos - empresas, fornecedores e clientes;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;propõe uma distinção clara entre os espaços particulares com privacidade absoluta e os espaços públicos, onde a informação circula;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;requer estabilidade e homogeneidade, baseada na formação de classes médias;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;supõe a centralização de poder (delegado pela população às autoridades), o que facilita o controle e a segurança;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;privilegia a centralização das fontes de informação: igreja, escola, imprensa e comunicação de massa.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;É possível questionar as suposições sobre as quais essa cidade está baseada. O futurólogo alemão &lt;a href=&quot;http://liftconference.com/person/christianheller&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Chris Heller&lt;/a&gt;, por exemplo, &lt;a href=&quot;http://liftconference.com/lift10/program/talk/christian-heller-post-privacy&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;discorda&lt;/a&gt; da associação comumente feita entre privacidade e liberdade. Segundo ele, ao tratar a privacidade como absoluto, o dissenso fica esmagado - o que gera sociedades mais moralistas e hipócritas. Heller não é o único a sugerir uma &lt;a href=&quot;http://liftconference.com/lift10/program/session/redefinition-privacy&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;redefinição da privacidade&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Especialmente no caso do Brasil, a cidade moderna é uma ideia que foi importada sem muita preocupação com sua adequação às nossas características. Pior ainda, foi distorcida e implementada de maneira equivocada. Se podemos ler a ideia de &lt;em&gt;cidade como uma tecnologia&lt;/em&gt; - geralmente desenvolvida de cima para baixo -, podemos também tentar metareciclá-la - desconstruindo suas bases, propondo releituras, apropriações e ressignificações.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;MetaReciclando cidades digitais&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;O ideal de cidade moderna está cada vez mais distante do que se pode ver cotidianamente nos centros urbanos, talvez mais bem descritos como &lt;em&gt;pós-cidades cyberpunk&lt;/em&gt;. Um exemplo claro, talvez extremo, é São Paulo. Vemos redes digitais por toda parte, sabotando as hierarquias da informação - para o bem e para o mal. Uma cidade não mais centralizada, mas fragmentada em diversas frentes. Uma economia distribuída, em grande medida informal. Um dinamismo que responde criativamente à instabilidade. Grande contraste e mobilidade sociais. Uma sensação iminente de violência, reforçada pelo alto nível de ilegalidade e impunidade, que refletem uma perda do controle que a cidade como estrutura costumava representar. É importante tentar atualizar nosso referencial sobre o que é uma cidade, para entender como podemos atuar para efetivamente transformá-la.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
Um dos primeiros rascunhos de projetos elaborado dentro do Projeto Metá:Fora (o antepassado da MetaReciclagem) foi o Prefeituras Inteligentes, de Daniel Pádua, muito antes de qualquer um de nós ter contato com políticas públicas do mundo real. Propunha basicamente que as cidades fossem vistas como espaços informacionais complexos, e que se desenvolvessem espaços de catalisação do potencial dessa informação a partir de laboratórios ligados em rede com infra-estrutura metareciclada. Ele nunca virou um projeto em si, mas certamente influenciou como a gente desenvolveu coisas nos anos seguintes.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que é essencial na cidade? Quais são suas estruturas em termos de informação? Ruas, praças, espaços públicos, espaços particulares de uso público, espaços privativos... como a gente pode interferir para criar relações mais colaborativas, participativas e livres? Como vamos raquear a tecnologia cidade?  É possível transpor as ações que promovem a &lt;a href=&quot;http://blog.esfera.mobi/transparencia-hackday-convite-a-participacao/ &quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;transparência de dados&lt;/a&gt; para a cidade?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mesmo com cada vez mais ruído na relação, a cidade continua sendo atrativa - pelo acesso a infra-estrutura compartilhada (serviços básicos, saneamento, etc.), pela concentração de oportunidades de estudo, trabalho e atividades culturais. Existe também uma certa vertigem que leva à projeção (ou ilusão) de crescimento, enriquecimento, mudança de vida. Mas é fato que cidades menores têm cada vez mais acesso a infra-estrutura, e que cada vez mais oportunidades de trabalho poderão ser realizadas à distância. Qual o efeito disso no fenômeno da concentração urbana? Mesmo nos grandes centros, começam a despontar projetos mais focados nos bairros do que na cidade toda - tentando trazer de volta a familiaridade da vizinhança, o compromisso de pessoas que compartilham condições de vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um movimento interessante nesse sentido é o das &lt;a href=&quot;http://www.transitiontowns.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;transition towns&lt;/a&gt;, que propõem soluções para os desafios das mudanças climáticas, a partir da transformação do cotidiano local - em bairros, vilarejos, pequenas cidades. Outro projeto interessante é o espanhol &lt;a href=&quot;http://wikiplaza.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;wikiplaza&lt;/a&gt;, que propõe entender o espaço público como sistema operacional, e promover ações de circulação de informação dentro dele.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Experimentação&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;É necessário refletir sobre qual papel as ações na fronteira entre arte, ciência e tecnologia devem assumir nessa metareciclagem da cidade. Um dos aspectos que estamos tentando investigar no projeto &lt;a href=&quot;http://redelabs.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;RedeLabs&lt;/a&gt; é justamente essa conexão entre a experimentação e a cidade. De que forma podemos propor que a exploração das fronteiras abstratas da inovação continuem fazendo sentido e realimentando a vida &quot;real&quot;? É interessante perceber essa mudança acontecendo também nesses circuitos experimentais. A edição de junho de 2010 do projeto &lt;a href=&quot;http://medialab-prado.es/article/interactivos10&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Interactivos&lt;/a&gt;, no &lt;a href=&quot;http://medialab-prado.es&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Medialab Prado&lt;/a&gt; de Madri, ofereceu reconhecimento ao movimento de &quot;ciência de garagem&quot;, que vem emergindo nos últimos anos, mas propôs uma abordagem mais participativa: ciência de bairro. Os &lt;a href=&quot;http://medialab-prado.es/article/interactivos10&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;resultados&lt;/a&gt; foram muito interessantes: projetos que mesclavam conhecimento científico, perspectiva estética e demandas sociais ou ambientais.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Uba&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Mesmo em contextos nos quais o urbanismo moderno nunca chegou a se desenvolver plenamente, é útil pensar na metareciclagem da ideia de cidade como ferramenta de construção de imaginário e transformação (talvez pensando em um &lt;a href=&quot;http://efeefe.no-ip.org/blog/desurbanizando&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;desurbanismo&lt;/a&gt;). Nos últimos tempos, tendo a concordar com &lt;a href=&quot;http://www.thackara.com/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;John Thackara&lt;/a&gt; - &lt;a href=&quot;http://observatory.designobserver.com/entry.html?entry=6947&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;podemos fazer muito mais em nossa própria vizinhança do que fora&lt;/a&gt;. Nos próximos meses vou começar um projeto aqui em Ubatuba, tentando trazer todas essas questões para um &lt;a href=&quot;http://efeefe.no-ip.org/blog/ubanismo&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;ambiente&lt;/a&gt; diferente daqueles em que trabalhei até hoje. Existem vários &lt;a href=&quot;http://rede.metareciclagem.org/wiki/UbaTuba&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;caminhos a explorar&lt;/a&gt;. Um dos primeiros questionamentos que quero fazer é: &lt;strong&gt;quem são os donos dos mapas?&lt;/strong&gt; A ideia é fazer o traçado da cidade no &lt;a href=&quot;http://www.openstreetmap.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;openstreetmap&lt;/a&gt; (por &lt;a href=&quot;http://ubalab.org/blog/sobre-openstreetmap-atencao-e-olhar&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;diversas razões&lt;/a&gt;), e depois partir para um mapeamento cultural e ambiental da cidade, em paralelo com iniciativas de turismo sustentável e ecoturismo, sempre buscando o diálogo com a rede MetaReciclagem. Vamos ver no que dá.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;---&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mais e mais: &lt;/strong&gt;esse assunto vai longe, sem muitas conclusões. Abaixo, alguns posts e coleções de links relacionados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://efeefe.no-ip.org/tag/urbe&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://efeefe.no-ip.org/tag/urbe&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://efeefe.no-ip.org/tag/desurbe&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://efeefe.no-ip.org/tag/desurbe&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://desvio.weblab.tk/blog/labtolab-dia-dia&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://desvio.weblab.tk/blog/labtolab-dia-dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://efeefe.no-ip.org/blog/ideia-de-cidade&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://efeefe.no-ip.org/blog/ideia-de-cidade&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://links.metareciclagem.org/tags.php/terraslivres&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://links.metareciclagem.org/tags.php/terraslivres&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://links.metareciclagem.org/tags.php/urbe&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://links.metareciclagem.org/tags.php/urbe&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://links.metareciclagem.org/tags.php/desurbe&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://links.metareciclagem.org/tags.php/desurbe&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://efeefe.no-ip.org/blog/cidadejando&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://efeefe.no-ip.org/blog/cidadejando&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field field-name-taxonomy-vocabulary-1 field-type-taxonomy-term-reference field-label-above&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-label&quot;&gt;Tags:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ubatuba&quot;&gt;ubatuba&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/cidades-digitais&quot;&gt;cidades digitais&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/metareciclagem&quot;&gt;metareciclagem&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/urbe&quot;&gt;urbe&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/desurbe&quot;&gt;desurbe&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description>
 <pubDate>Sat, 28 Aug 2010 22:43:49 +0000</pubDate>
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