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 <title>UbaLab. - ciência comunitária</title>
 <link>http://ubalab.org/tag/ciencia-comunitaria</link>
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 <language>pt-br</language>
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 <title>Microscópio de papel em 10 minutos</title>
 <link>http://ubalab.org/blog/microscopio-de-papel-em-10-minutos</link>
 <description>&lt;div class=&quot;field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;p&gt;Descontando toda a empolgação de mercado e o cansativo formatinho TED, é interessante essa iniciativa do bioengenheiro de Stanford Manu Prakash (com seus alunos): um microscópio de papel, montado como origami, que custa potencialmente 50 centavos de dólar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;300&quot; mozallowfullscreen=&quot;&quot; scrolling=&quot;no&quot; src=&quot;http://embed.ted.com/talks/lang/en/manu_prakash_a_50_cent_microscope_that_folds_like_origami.html&quot; webkitallowfullscreen=&quot;&quot; width=&quot;500&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field field-name-taxonomy-vocabulary-1 field-type-taxonomy-term-reference field-label-above&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-label&quot;&gt;Tags:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia-de-bairro&quot;&gt;ciência de bairro&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia-comunitaria&quot;&gt;ciência comunitária&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia-cidada&quot;&gt;ciência cidadã&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description>
 <pubDate>Tue, 11 Mar 2014 23:47:38 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Pixelache &gt; Dados ambientais</title>
 <link>http://ubalab.org/blog/pixelache-dados-ambientais</link>
 <description>&lt;div class=&quot;field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;p&gt;Está circulando a &lt;a href=&quot;http://www.pixelache.ac/helsinki/camp-pixelache-2012/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;convocatória para uma versão compacta do Pixelache&lt;/a&gt;, festival em Helsinque, a se realizar em maio. Pesquei isso aqui na chamada:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Subtema 2: A arte de reunir dados ambientais&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Palestrante e facilitadora: &lt;a href=&quot;http://www.gold.ac.uk/design/staff/gabrys/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Jennifer Gabrys, Universidade Goldsmiths&lt;/a&gt;, Londres.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Esse subtema abrange teoria de ecossistemas, monitoramento ambiental, e ciência cidadã/participativa, no contexto de dados abertos. Como podemos apoiar e desenvolver aquelas atividades que já estão em andamento em instituições, mas em nível de base, &quot;produzindo dados confiáveis de ciência cidadã&quot;. Esse subtema foi projetado em colaboração com a Sociedade Finlandesa de Bioarte.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Não vou nem tentar um auto-convite, porque esse semestre já está tomado. Mas não deixa de ser uma referência interessante.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field field-name-taxonomy-vocabulary-1 field-type-taxonomy-term-reference field-label-above&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-label&quot;&gt;Tags:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/finlandia&quot;&gt;finlândia&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia-comunitaria&quot;&gt;ciência comunitária&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia&quot;&gt;ciência&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/pixelache&quot;&gt;pixelache&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/helsinque&quot;&gt;helsinque&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/dados-ambientais&quot;&gt;dados ambientais&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/monitoramento&quot;&gt;monitoramento&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ecossistemas&quot;&gt;ecossistemas&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia-cidada&quot;&gt;ciência cidadã&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description>
 <pubDate>Sat, 04 Feb 2012 02:50:09 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Biopunk</title>
 <link>http://ubalab.org/blog/biopunk</link>
 <description>&lt;div class=&quot;field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;p&gt;A inteligência artificial nativa &lt;a href=&quot;http://yupana.pontaodaeco.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Yupana Kernel&lt;/a&gt; compartilhou na &lt;a href=&quot;http://lista.metareciclagem.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;lista metareciclagem&lt;/a&gt; o &lt;a href=&quot;http://maradydd.livejournal.com/496085.html&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;manifesto biopunk&lt;/a&gt; de &lt;a href=&quot;http://maradydd.livejournal.com/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Meredith Patterson&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://vimeo.com/18201825&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;lançado publicamente&lt;/a&gt; durante a conferência &lt;a href=&quot;http://outlawbiology.net/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Outlaw Biology&lt;/a&gt;, na Califórnia. em 2010. Vai abaixo uma tradução livre para o português brasileiro (ainda aberta a revisões e colaborações, &lt;a href=&quot;http://pontaopad.me/htyDRVaBtK&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;):&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;&quot;Instrução científica é necessária para uma sociedade funcional na era moderna. A instrução científica não é educação científica. Uma pessoa educada em ciência pode entender ciência; uma pessoa instruída em ciência pode &lt;i&gt;fazer&lt;/i&gt; ciência. A instrução científica permite às pessoas que a têm serem contribuidoras ativas de sua própria saúde, da qualidade de sua comida, água e ar, e das próprias interações com seus corpos e o mundo à volta delas.&quot;&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;A sociedade progrediu dramaticamente nos últimos cem anos no sentido da promoção da educação, mas ao mesmo tempo a prevalência da ciência cidadã decaiu. Quem são xs equivalentes do século vinte de Benjamin Franklin, Edward Jenner, Marie Curie ou Thomas Edison? Talvez Steve Wozniak, Bill Hewlett, Dave Packard ou Linus Torvalds - mas o escopo de seus trabalhos é muito mais estreito do que o daquele realizado pelxs filósofos naturais que os precederam. A ciência cidadã sofreu um problemático declínio em diversidade, e é esta diversidade que xs biohackers querem retomar. Nós rejeitamos a percepção popular de que a ciência só é feita em laboratórios milionários de universidades, governo ou corporações; afirmamos que o direito à liberdade de investigação, de pesquisar e buscar entendimento de acordo com a direção própria de cada 1 é um direito tão fundamental quanto o da livre expressão ou da liberdade de religião. Não temos nenhuma briga com a Grande Ciência; simplesmente recordamos que a Pequena Ciência sempre foi tão crítica quanto ela no desenvolvimento do corpo de conhecimento humano, e nos recusamos a vê-la extinta.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;A pesquisa requer ferramentas, e a investigação livre requer que o acesso às ferramentas seja irrestrito. Como engenheirxs, estamos desenvolvendo equipamentos de laboratório de baixo custo e protocolos genéricos e acessíveis ao cidadão comum. Como agentes políticxs, apoiamos publicações abertas, a colaboração aberta e o livre acesso à pesquisa financiada com recursos públicos, e nos opomos a leis que tentam criminalizar a posse de equipamento de pesquisa ou a busca privada de investigação.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Talvez pareça estranho que cientistas e engenheirxs queiram se envolver no mundo político - mas xs &lt;i&gt;biohackers&lt;/i&gt; se comprometeram, por necessidade, a fazê-lo. Os legisladores que gostariam de restringir a liberdade individual de investigação o fazem por causa da ignorância e de seu gêmeo malvado, o medo - respectivamente a presa e o predador naturais da investigação científica. Se pudermos prevalecer contra aquela, dispersaremos este. Como &lt;i&gt;biohackers&lt;/i&gt;, é nossa responsabilidade agir como emissárixs da ciência, criando novxs cientistas a partir de todo mundo que encontramos. Devemos comunicar não somente o valor de nossa pesquisa, mas o valor de nossas metodologia e motivação se quisermos enviar a ignorância e o medo de volta para a escuridão de uma vez por todas.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Nós, xs &lt;i&gt;biopunks&lt;/i&gt;, nos dedicamos a colocar as ferramentas da investigação científica nas mãos de qualquer pessoa que as queira. Estamos construindo uma infraestrutura de metodologia, de comunicação, de automação e de conhecimento disponível publicamente.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;&lt;i&gt;Biopunks&lt;/i&gt; experimentam. Temos questões, e não vemos por que esperar que outra pessoa as responda. Armadxs com curiosidade e com o método científico, nós formulamos e testamos hipóteses para encontrar respostas às questões que nos mantêm acordados à noite. Publicamos nossos protocolos e o design de nossos equipamentos, e compartilhamos nossa experiência de bancada, de maneira que nossxs colegas &lt;i&gt;biopunks&lt;/i&gt; possam aprender com e expandir os nossos métodos, bem como reproduzir os experimentos 1s dxs outrxs para validá-los. Parafraseando Eric Hughes, &quot;Nosso trabalho é livre para todxs usarem, no mundo todo. Não nos importamos muito se você não aprova nossos tópicos de pesquisa&quot;. Nós nos baseamos no trabalho dos &lt;i&gt;Cypherpunks&lt;/i&gt; que vieram antes de nós para garantir que uma comunidade de pesquisa largamente expandida não possa ser desligada.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;&lt;i&gt;Biopunks&lt;/i&gt; deploram restrições à pesquisa independente, porque o direito de chegar-se de maneira independente a um entendimento do mundo ao redor de cada 1 é um direito humano fundamental. A curiosidade não conhece etnia, gênero, idade ou limites socioeconômicos, mas a oportunidade de satisfazer essa curiosidade frequentemente se torna uma oportunidade econômica, e queremos quebrar essa barreira. Uma criança de 13 anos no South Central de Los Angeles tem tanto direito de investigar o mundo quanto um professor universitário. Se termocicladores são caros para que se dê um a cada pessoa interessada, então vamos projetar opções mais baratas e ensinar as pessoas a construí-los.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;&lt;i&gt;Biopunks&lt;/i&gt; se responsabilizam por sua pesquisa. Temos consciência de que nossos temas de interesse são organismos vivos que merecem respeito e um bom tratamento, e estamos muito conscientes de que nossa pesquisa tem o potencial de afetar aquelxs à nossa volta. Mas nós rejeitamos enfaticamente a admoestação do princípio da precaução, que é nada mais do que uma tentativa paternalista de silenciar pesquisadorxs incutindo-lhes medo do desconhecido. Quando nós trabalhamos, temos em mente a melhoria da comunidade - e isso inclui a nossa comunidade, a sua comunidade e as comunidades de pessoas que poderemos nunca chegar a conhecer. Nós recebemos suas questões, e desejamos nada mais do que lhes &lt;i&gt;empoderar&lt;/i&gt; para descobrir por vocês mesmxs as respostas para elas.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;&lt;i&gt;Biopunks&lt;/i&gt; estão engajados ativamente em fazer do mundo um lugar que todxs possam entender. Venha, vamos pesquisar juntxs.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Colaboraram na tradução: Felipe Fonseca, Antonio Sevilha e Zeca Moraes&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field field-name-taxonomy-vocabulary-1 field-type-taxonomy-term-reference field-label-above&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-label&quot;&gt;Tags:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia-de-bairro&quot;&gt;ciência de bairro&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia-comunitaria&quot;&gt;ciência comunitária&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia&quot;&gt;ciência&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/biopunk&quot;&gt;biopunk&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/diybio&quot;&gt;diybio&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description>
 <pubDate>Tue, 24 Jan 2012 16:37:02 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Ciência Comunitária</title>
 <link>http://ubalab.org/blog/ciencia-comunitaria</link>
 <description>&lt;div class=&quot;field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;blockquote&gt;Publiquei esse texto no &lt;a href=&quot;http://culturadigital.org.br/2011/11/ciencia-comunitaria/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;blog do Festival CulturaDigital.Br&lt;/a&gt; e na área Rede//Labs do &lt;a href=&quot;http://arquivovivo.org.br/archives/artwork/redelabs&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Arquivo Vivo&lt;/a&gt;. É também a base do meu pré-projeto de pesquisa no &lt;a href=&quot;http://www.labjor.unicamp.br/cursos/informacoes_mest.htm&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;mestrado na Unicamp&lt;/a&gt; que começo ano que vem.&lt;/blockquote&gt;
Na última década e meia, a crescente disseminação de tecnologias de comunicação em rede propiciou o surgimento e a potencialização de novas formas de criação de conhecimento, com base em arranjos sociais distribuídos e colaborativos. Essa tendência é patente por exemplo no movimento do software livre que, se já existia desde antes da internet comercial, acabou por ganhar massa crítica uma vez que indivíduos e grupos puderam usar a rede para aprender uns com os outros, resolver problemas, explorar novas ideias e publicar código-fonte para ser livremente apropriado e modificado. O resultado foi o surgimento de ecossistemas informacionais autogeridos e baseados em uma emergente ética hacker, impulsionando a evolução colaborativa de conhecimento comum.
A comunicação em rede levou também sua influência a outros campos: a desintermediação radical da produção cultural a partir da disponibilização de conteúdo com licenças livres orientadas à generosidade intelectual, a multiplicação dos espaços para debate público com os blogs e redes sociais, a disponibilização ampla de recursos didáticos multimídia, e assim por diante. Em todas essas áreas, ganha força um vocabulário com termos como &quot;livre&quot;, &quot;distribuído&quot;, &quot;colaborativo&quot;, &quot;autogerido&quot;. Mais do que mera resistência à crescente pressão pelo controle comercial da chamada propriedade intelectual, essas experiências apontam para formas contemporâneas de aprendizado, criação de imaginário, identidade coletiva e invenção.
Mais recentemente, o dinamismo das redes online que se dedicam ao desenvolvimento de conhecimento compartilhado tem também estimulado a criação de espaços físicos que se propõem a atuar como interfaces entre tais redes e os contextos locais. São os hackerspaces, fablabs, laboratórios experimentais - espaços abertos orientados à convergência, à descoberta e à troca. Situam-se na fronteira entre o desenvolvimento de tecnologias, a arte contemporânea, o design de produtos, a educação e o ativismo. Atuando de maneira dinâmica, e adaptável, esses espaços catalisam de formas diversas a criação de conhecimento, o aprendizado e a produção adequados aos tempos contemporâneos: não-lineares, enredados e coletivizados.
&lt;h2&gt;Da garagem ao bairro&lt;/h2&gt;
Alguns desses espaços estão inseridos no movimento da &quot;ciência de garagem&quot; (ver &lt;a href=&quot;http://www.arede.inf.br/inclusao/edicoes-anteriores/179-edicao-no-69-maio2011/4217-raitequi&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;artigo de Sergio Amadeu na revista A Rede&lt;/a&gt;. Os projetos que adotam essa perspectiva articulam de forma coerente as redes colaborativas online, o método científico, a facilidade de acesso a equipamentos e sensores eletrônicos - que geram dados a partir do ambiente e os armazenam, transmitem e modelam - e a crescente disponibilização de conhecimento científico através da internet. Propõem a realização de experimentos com culturas de bactérias, a aproximação entre as tecnologias digitais livres e os princípios da permacultura, a criação de alternativas para geração e armazenamento de energia, a geografia experimental e o mapeamento colaborativo de localidades, a utilização de conhecimento aplicado para intervir no espaço urbano e muitos outros temas de grande relevância para os tempos atuais.
O renomado &lt;a href=&quot;http://medialab-prado.es/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Medialab Prado&lt;/a&gt; de Madri realizou em 2009 um encontro chamado &quot;&lt;a href=&quot;http://medialab-prado.es/article/taller-seminario_interactivos10_ciencia_de_barrio&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Interativos: Ciência de Bairro&lt;/a&gt;&quot;, que propunha ainda um passo além da garagem: a utilização da ciência para dentro de comunidades e grupos sociais. O evento produziu dez projetos experimentais envolvendo dezenas de pessoas vindas da Europa, América Latina e Estados Unidos. Propunha a valorização da ciência desenvolvida em laboratórios amadores, aos quais credita a invenção da lâmpada elétrica, da radioatividade, dos antibióticos e do computador pessoal.
Trata-se de uma proposta que, igualmente inspirada pelas redes colaborativas online, procura imprimir ao conhecimento científico a mesma fluidez e multiplicidade de usos que, como apontei acima, tem sido possível na produção cultural, na educação e no software livre. Existe aí um paralelo interessante: da mesma forma que a desintermediação da produção cultural, que gradualmente deixa de depender de grandes instituições e dá vazão à produção engajada e autônoma, também na ciência existe potencial para fugir às amarras burocráticas da academia e à orientação exclusiva ao lucro do mundo empresarial. De certa forma, trata-se de abrir o repertório da inovação para ambientes que muito necessitam dela.
&lt;h2&gt;Inovação&lt;/h2&gt;
Inovação é uma ideia difusa, que pode ser entendida de múltiplas maneiras. Em geral, nos dias de hoje, se associa a inovação à criação de propriedade intelectual - invenções com o propósito fundamental de gerar lucro. É importante criticar essa visão e explorar caminhos conceituais, metodológicos e práticos para o estímulo ao desenvolvimento de inovação socialmente relevante, baseada em protocolos e conhecimento abertos, governança colaborativa e comunicação em rede. As redes online podem ser vistas como protótipos de novos arranjos para a criação e compartilhamento de conhecimento livre. É preciso pensar e fazer laboratórios experimentais como &lt;a href=&quot;http://blog.redelabs.org/blog/laboratorios-experimentais-interface-rede-rua&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;interfaces entre as redes colaborativas online e o espaço urbano&lt;/a&gt;, atuando na fronteira entre arte, tecnologia, educação, ciência, ativismo e sociedade.
&lt;h2&gt;Ciência&lt;/h2&gt;
É notória a influência da ciência no imaginário contemporâneo - desde a &quot;administração científica&quot; até os &quot;relacionamentos quânticos&quot;. É necessário, entretanto, questionar a apropriação superficial de seu referencial e sua submissão à lógica do espetáculo midiático orientado ao consumo. Até que ponto a emergência do movimento da &quot;ciência de garagem&quot; não está condicionada a essa visão ingênua da ciência? Qual posicionamento devem assumir espaços experimentais abertos, para que não se limitem a repetir brinquedos de laboratório de química infantil, experimentos rudimentares de mecânica clássica ou o mero monitoramento de ambientes? Como garantir que, por outro lado, não caiam na simples reprodução em menor escala da abstração alienante proporcionada pelo complexo industrial-acadêmico, que distancia do cotidiano a compreensão de conhecimento científico? O método científico pode ser utilizado também para a solução de problemas cotidianos? Que elementos da ciência podem ser trazidos ao dia a dia? Como eles podem se articular com a latente sabedoria popular sobre otimização de recursos e gerenciamento da &lt;a href=&quot;http://desvio.cc/blog/gambiologia-criatividade-que-nos-faz-humanos&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;escassez e da precariedade&lt;/a&gt;? São questões presentes e necessárias.
O desenvolvimento em anos recentes de programas estruturados de universalização do acesso à internet - em escolas, ONGs e políticas públicas como telecentros, pontos de cultura e afins – ensaia o desenvolvimento de uma infraestrutura pública de comunicação em rede, dentro do espectro do que se convencionou chamar &quot;inclusão digital&quot;. Mas que tipo de inclusão tais projetos proporcionam? São espaços passivos de preparação para o consumo, ou pelo contrário proporcionam a apropriação crítica de conhecimento tecnológico, de modo a proporcionar o &lt;a href=&quot;http://desvio.cc/blog/inovacao-e-tecnologias-livres-parte-2-hojes-e-depois&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;pleno desenvolvimento do potencial criativo das pessoas que participam deles&lt;/a&gt;? Muitos desses projetos são virtuais espaços para o desenvolvimento aprofundado de ciência comunitária, conectados em rede e nela encontrando soluções para problemas locais. Como vamos aproveitá-los ao máximo?
&lt;hr /&gt;
Este artigo foi escrito com o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field field-name-taxonomy-vocabulary-1 field-type-taxonomy-term-reference field-label-above&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-label&quot;&gt;Tags:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/metareciclagem&quot;&gt;metareciclagem&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia-de-bairro&quot;&gt;ciência de bairro&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/labjor&quot;&gt;labjor&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/mestrado&quot;&gt;mestrado&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia-comunitaria&quot;&gt;ciência comunitária&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/inovacao&quot;&gt;inovação&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia&quot;&gt;ciência&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/cce&quot;&gt;cce&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/redelabs&quot;&gt;redelabs&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/arquivovivo&quot;&gt;arquivovivo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description>
 <pubDate>Fri, 18 Nov 2011 19:50:30 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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