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 <title>UbaLab. - arquivovivo</title>
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 <title>Ciência Comunitária</title>
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 <description>&lt;div class=&quot;field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;blockquote&gt;Publiquei esse texto no &lt;a href=&quot;http://culturadigital.org.br/2011/11/ciencia-comunitaria/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;blog do Festival CulturaDigital.Br&lt;/a&gt; e na área Rede//Labs do &lt;a href=&quot;http://arquivovivo.org.br/archives/artwork/redelabs&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Arquivo Vivo&lt;/a&gt;. É também a base do meu pré-projeto de pesquisa no &lt;a href=&quot;http://www.labjor.unicamp.br/cursos/informacoes_mest.htm&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;mestrado na Unicamp&lt;/a&gt; que começo ano que vem.&lt;/blockquote&gt;
Na última década e meia, a crescente disseminação de tecnologias de comunicação em rede propiciou o surgimento e a potencialização de novas formas de criação de conhecimento, com base em arranjos sociais distribuídos e colaborativos. Essa tendência é patente por exemplo no movimento do software livre que, se já existia desde antes da internet comercial, acabou por ganhar massa crítica uma vez que indivíduos e grupos puderam usar a rede para aprender uns com os outros, resolver problemas, explorar novas ideias e publicar código-fonte para ser livremente apropriado e modificado. O resultado foi o surgimento de ecossistemas informacionais autogeridos e baseados em uma emergente ética hacker, impulsionando a evolução colaborativa de conhecimento comum.
A comunicação em rede levou também sua influência a outros campos: a desintermediação radical da produção cultural a partir da disponibilização de conteúdo com licenças livres orientadas à generosidade intelectual, a multiplicação dos espaços para debate público com os blogs e redes sociais, a disponibilização ampla de recursos didáticos multimídia, e assim por diante. Em todas essas áreas, ganha força um vocabulário com termos como &quot;livre&quot;, &quot;distribuído&quot;, &quot;colaborativo&quot;, &quot;autogerido&quot;. Mais do que mera resistência à crescente pressão pelo controle comercial da chamada propriedade intelectual, essas experiências apontam para formas contemporâneas de aprendizado, criação de imaginário, identidade coletiva e invenção.
Mais recentemente, o dinamismo das redes online que se dedicam ao desenvolvimento de conhecimento compartilhado tem também estimulado a criação de espaços físicos que se propõem a atuar como interfaces entre tais redes e os contextos locais. São os hackerspaces, fablabs, laboratórios experimentais - espaços abertos orientados à convergência, à descoberta e à troca. Situam-se na fronteira entre o desenvolvimento de tecnologias, a arte contemporânea, o design de produtos, a educação e o ativismo. Atuando de maneira dinâmica, e adaptável, esses espaços catalisam de formas diversas a criação de conhecimento, o aprendizado e a produção adequados aos tempos contemporâneos: não-lineares, enredados e coletivizados.
&lt;h2&gt;Da garagem ao bairro&lt;/h2&gt;
Alguns desses espaços estão inseridos no movimento da &quot;ciência de garagem&quot; (ver &lt;a href=&quot;http://www.arede.inf.br/inclusao/edicoes-anteriores/179-edicao-no-69-maio2011/4217-raitequi&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;artigo de Sergio Amadeu na revista A Rede&lt;/a&gt;. Os projetos que adotam essa perspectiva articulam de forma coerente as redes colaborativas online, o método científico, a facilidade de acesso a equipamentos e sensores eletrônicos - que geram dados a partir do ambiente e os armazenam, transmitem e modelam - e a crescente disponibilização de conhecimento científico através da internet. Propõem a realização de experimentos com culturas de bactérias, a aproximação entre as tecnologias digitais livres e os princípios da permacultura, a criação de alternativas para geração e armazenamento de energia, a geografia experimental e o mapeamento colaborativo de localidades, a utilização de conhecimento aplicado para intervir no espaço urbano e muitos outros temas de grande relevância para os tempos atuais.
O renomado &lt;a href=&quot;http://medialab-prado.es/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Medialab Prado&lt;/a&gt; de Madri realizou em 2009 um encontro chamado &quot;&lt;a href=&quot;http://medialab-prado.es/article/taller-seminario_interactivos10_ciencia_de_barrio&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Interativos: Ciência de Bairro&lt;/a&gt;&quot;, que propunha ainda um passo além da garagem: a utilização da ciência para dentro de comunidades e grupos sociais. O evento produziu dez projetos experimentais envolvendo dezenas de pessoas vindas da Europa, América Latina e Estados Unidos. Propunha a valorização da ciência desenvolvida em laboratórios amadores, aos quais credita a invenção da lâmpada elétrica, da radioatividade, dos antibióticos e do computador pessoal.
Trata-se de uma proposta que, igualmente inspirada pelas redes colaborativas online, procura imprimir ao conhecimento científico a mesma fluidez e multiplicidade de usos que, como apontei acima, tem sido possível na produção cultural, na educação e no software livre. Existe aí um paralelo interessante: da mesma forma que a desintermediação da produção cultural, que gradualmente deixa de depender de grandes instituições e dá vazão à produção engajada e autônoma, também na ciência existe potencial para fugir às amarras burocráticas da academia e à orientação exclusiva ao lucro do mundo empresarial. De certa forma, trata-se de abrir o repertório da inovação para ambientes que muito necessitam dela.
&lt;h2&gt;Inovação&lt;/h2&gt;
Inovação é uma ideia difusa, que pode ser entendida de múltiplas maneiras. Em geral, nos dias de hoje, se associa a inovação à criação de propriedade intelectual - invenções com o propósito fundamental de gerar lucro. É importante criticar essa visão e explorar caminhos conceituais, metodológicos e práticos para o estímulo ao desenvolvimento de inovação socialmente relevante, baseada em protocolos e conhecimento abertos, governança colaborativa e comunicação em rede. As redes online podem ser vistas como protótipos de novos arranjos para a criação e compartilhamento de conhecimento livre. É preciso pensar e fazer laboratórios experimentais como &lt;a href=&quot;http://blog.redelabs.org/blog/laboratorios-experimentais-interface-rede-rua&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;interfaces entre as redes colaborativas online e o espaço urbano&lt;/a&gt;, atuando na fronteira entre arte, tecnologia, educação, ciência, ativismo e sociedade.
&lt;h2&gt;Ciência&lt;/h2&gt;
É notória a influência da ciência no imaginário contemporâneo - desde a &quot;administração científica&quot; até os &quot;relacionamentos quânticos&quot;. É necessário, entretanto, questionar a apropriação superficial de seu referencial e sua submissão à lógica do espetáculo midiático orientado ao consumo. Até que ponto a emergência do movimento da &quot;ciência de garagem&quot; não está condicionada a essa visão ingênua da ciência? Qual posicionamento devem assumir espaços experimentais abertos, para que não se limitem a repetir brinquedos de laboratório de química infantil, experimentos rudimentares de mecânica clássica ou o mero monitoramento de ambientes? Como garantir que, por outro lado, não caiam na simples reprodução em menor escala da abstração alienante proporcionada pelo complexo industrial-acadêmico, que distancia do cotidiano a compreensão de conhecimento científico? O método científico pode ser utilizado também para a solução de problemas cotidianos? Que elementos da ciência podem ser trazidos ao dia a dia? Como eles podem se articular com a latente sabedoria popular sobre otimização de recursos e gerenciamento da &lt;a href=&quot;http://desvio.cc/blog/gambiologia-criatividade-que-nos-faz-humanos&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;escassez e da precariedade&lt;/a&gt;? São questões presentes e necessárias.
O desenvolvimento em anos recentes de programas estruturados de universalização do acesso à internet - em escolas, ONGs e políticas públicas como telecentros, pontos de cultura e afins – ensaia o desenvolvimento de uma infraestrutura pública de comunicação em rede, dentro do espectro do que se convencionou chamar &quot;inclusão digital&quot;. Mas que tipo de inclusão tais projetos proporcionam? São espaços passivos de preparação para o consumo, ou pelo contrário proporcionam a apropriação crítica de conhecimento tecnológico, de modo a proporcionar o &lt;a href=&quot;http://desvio.cc/blog/inovacao-e-tecnologias-livres-parte-2-hojes-e-depois&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;pleno desenvolvimento do potencial criativo das pessoas que participam deles&lt;/a&gt;? Muitos desses projetos são virtuais espaços para o desenvolvimento aprofundado de ciência comunitária, conectados em rede e nela encontrando soluções para problemas locais. Como vamos aproveitá-los ao máximo?
&lt;hr /&gt;
Este artigo foi escrito com o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field field-name-taxonomy-vocabulary-1 field-type-taxonomy-term-reference field-label-above&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-label&quot;&gt;Tags:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/metareciclagem&quot;&gt;metareciclagem&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia-de-bairro&quot;&gt;ciência de bairro&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/labjor&quot;&gt;labjor&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/mestrado&quot;&gt;mestrado&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia-comunitaria&quot;&gt;ciência comunitária&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/inovacao&quot;&gt;inovação&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/ciencia&quot;&gt;ciência&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/cce&quot;&gt;cce&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item even&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/redelabs&quot;&gt;redelabs&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;field-item odd&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/tag/arquivovivo&quot;&gt;arquivovivo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description>
 <pubDate>Fri, 18 Nov 2011 19:50:30 +0000</pubDate>
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